
Nossas homenagens às mulheres através dos olhos de Rochelle, gaúcha há anos radicada em São Paulo. Na foto, o que sempre buscou: o inédito, as cores, pormenores e doces movimentos. Que vivam muito bem todas as mulheres!

Texto: Moah SousaFoto: Rochelle Costi

Que issso fique entre nós
"Nas provocações entre a mente e o corpo de Barbisan, as superfícies servem de escudos ou armas, têm o poder de furar a barriga ou esconder os olhos." por Fabio Zimbres
Local: Museu do Trabalho
Endereço: Rua dos Andradas, 230
Abertura: 4 de março, quinta, às 20h
Visitação: 5 de março a 18 de abril
Ninguém vê o mundo da mesma maneira que você. E, para criar um retrato único do planeta, a BBC quer ver as coisas através da sua perspectiva. Para isso, foi aberta a competição internacional MyWorld (meu mundo, em inglês). Para participar, você pode inscrever um vídeo que mostre como você vê o seu mundo. Se você for escolhido, seu vídeo poderá ser exibido mundialmente na BBC.
Os melhores filmes serão então escolhidos por um painel formado por alguns dos melhores documentaristas do mundo, e colocados em sequência, formando um único documentário, contendo histórias de cada continente.
Sobre a competição
Você pode interpretar o tema Meu Mundo da maneira que quiser. Seu filme pode ser, por exemplo, sobre uma história pessoal, sobre um lugar que está passando por mudanças, ou sobre a alegria ou as dificuldades do seu trabalho.
Cada filme deve ser relevante a um dos cinco continentes – África, Américas, Europa, Ásia e Oceania – e deve ser identificado como tal. O filme pode ser feito em uma única filmagem, se for apropriado para a história, ou pode ser editado em qualquer software de edição.
Uma seleção de todos os trabalhos poderá ser mostrada na TV e na internet, e o vencedor será selecionado de acordo com os critérios do júri.
Após a data final de inscrição, cada um dos cinco jurados será responsável por selecionar filmes de cada continente, para que sejam montadas sequências com até dez dos melhores filmes de cada região.
As cinco sequências ficarão disponíveis online e poderão ser vistas na internet
O vencedor ganhará uma câmera de vídeo HD semi-profissional.
Clique Clique aqui para participar da competição.
Prazo para inscrição: 12 de Março de 2010, às 13h, horário de Brasília.
Fonte: BBC Brasil
Nesta terça-feira, 19, entre futebol, carnaval e algumas dezenas de mortos, não pode ser outra a minha mensagem a não ser a daqueles que se perdem, pacificamente, entre os foliões do mundo.
Vestia uma de suas fantasias. Eram tantas que não as entendia como fantasias. Percorrera planícies e abismos, pessoas e bichos, casas e nichos. Seu presente era, a um tempo só, passado e futuro. Não era temente, mas confiava em Deus, de quem guardava uma vaga idéia. Do Diabo, de quem esteve perto, algumas vezes, alimentava restrições, até mesmo por se achar parecido com ele. Um pequeno saco de lona, descolorido pelo tempo e pelas viagens, era a sua única bagagem. Ele a mantinha sob um braço, como dono e guardião de seu tesouro. Usava uma bengala por charme ou, talvez, à guisa de arma.
A tarde estava quente e ele errava pela cidade com a sua arma e a sua bagagem, em busca de um destino incerto. Sua fantasia não chamava atenção. Era um terno escuro, camisa branca, gravata listrada, sapatos e meias pretas. No cabeleira vasta já apareciam algumas cãs. Numa esquina, num bar, deparou-se com um movimento mais intenso de pessoas que, foi fácil notar, como ele, estavam ali para vadiar. O bar tinha várias portas, o que facilitava o entre-e-sai da pequena multidão. Entrou. Havia alegria e, por vezes, algazarra. Num canto, alguém começou a tocar violão. Uma mulher ergueu um copo em triunfo e cantou um samba-canção.
Lembrou de outras festas em terras e tempos diferentes. Festejos profanos, místicos, patrióticos. O ateu, o pagão, o iconoclasta, o agnóstico, o político seboso, estão presentes em todas essas efemérides enfiados em fantasias e dançando as danças que os cerimoniais exigem. Conheceu aqueles que fogem e se recolhem em clausuras para contatos mais íntimos com as suas divindades. E em cada rosto, em cada uma dessas criaturas, em cada uma dessas fantasias, encontrava a si mesmo. Na sua obsessão, se via diante de um espelho mágico que lhe mostrava todas as suas formas, das que o sublimavam até as mais primitivas, bárbaras.
E agora, ali estava ele em mais uma viagem. De pé, junto ao balcão, tomando uma cerveja e beliscando queijinho picado, vendo a multidão de seus pedaços aumentar. Já não era apenas o violão. Outros músicos e instrumentos apareceram. As muitas portas do bar não davam conta do entre-e-sai. As pessoas passavam se roçando com garrafas de cerveja e copos nas mãos. Alguns queriam proximidade com os músicos, outros buscavam mesas na calçada. Era carnaval. Dali iria sair uma banda anárquica com jeito de bloco de sujos. A Banda de K, sem diretoria, sem diretoria. E quando a banda saiu, ele também saiu. Tirou de sua bagagem – e vestiu sobre o traje preto – um imenso vestido de baiana. E se perdeu entre os foliões do mundo.
Wanderley Soares,Jornalista e escritor.Texto publicado no jornal O Sul, 16/02/2010Fotos. Reprodução Web