Fragmentos em livros

A poesia não é a cura para nenhum dos males do corpo, mas pode alegrar as mentes. Ela é uma das poucas linguagens que abrange místicos, niilistas e nos que acreditam que nela a razão há de alcançar seu ponto mais alto do saber, de estar distante do irracional. A poesia é um trajeto que não passa por um simples verso para o seu fim único, mas que das mãos e da voz de quem canta os limites da linguagem deixam de existir para quem dela se apropria.
Essa palavra feminina de desejos para além do gênero abriga loucos, alucinadas pela vida, homens desesperados a encontrar sua vaidade sentada ao lado do reconhecimento. Ela também malogra o que não será antológico pelo simples fato de não ter um fim. Ela abriga na maior parte das vezes o canto lúcido dos que silenciaram a vida, dos que mataram a tristeza dentro de si. Lembro de Paul Celan no seu belíssimo “Cristal” da editora Iluminuras, bilíngüe (alemão-português) e tradução de Claudia Cavalcanti. Celan morreu em Paris atirando-se nas águas do Sena, em 1970 aos 49 anos.